Com quase 50 milhões de visualizações de seus clipes na internet, Adriel, Luiz e Kalfani falam do sucesso.
Os meninos da banda Pollo: Kalfani, Adriel e Luiz.
Nem parece que foi só há dois anos que os meninos da Pollo (fala-se
pólo) resolveram formar uma banda. Adriel, Luiz e Kalfani colecionam
números de respeito para quem acabou de lançar seu primeiro CD: os
clipes somam cerca de 50 milhões de visualizações no YouTube, a música
“Vagalumes” é mais pedida nas rádios do país e está na trilha sonora de
“Sangue Bom”, a agenda está lotada e os shows, também. Filhos da era do
YouTube, eles começaram antes na internet.Adriel diz que foi naquela fase em que as mães falam “Vocês tem que fazer alguma coisa da vida” que ele e Luiz, de quem é amigo desde criança, resolveram levar a sério um de seus hobbies: fazer música.
“A gente fazia brincando, zoando, gravava música e colocava na internet sem nenhuma pretensão. A galera começou a incentivar: ‘Por que vocês não levam a sério? Vocês mandam bem’. E aí a gente resolveu levar a sério o que a gente estava fazendo e ver no que ia dar, perder a vergonha. Então gravamos ‘Trama’, a primeira música”, lembra.
“Trama” foi um sucesso e superou as expectativas dos meninos. O convite para o primeiro show veio logo depois e, para não perder a oportunidade, eles mentiram: “A gente nunca tinha subido num palco. Perguntaram se a gente já tinha feito show e eu disse: ‘Estamos estourados. Show é o que a gente mais faz, temos 16 shows no mês’”, conta Luiz.
Com o contrato para a apresentação fechado, Luiz e Adriel se empenharam em criar um minirepertório. Em uma semana produziram mais três músicas e o primeiro show foi com a casa lotada e um cachê bem inusitado. “O cachê foi uma vodca de 20 reais. O cara perguntou: ‘Vocês vão querer ganhar quanto?’ e a gente: ‘Ah, uma vodka tá bom’”, lembram aos risos.
A entrada do DJ Kalfani, de 16 anos, veio depois que ele criticou uma das músicas de Adriel e Luiz em um comentário na internet: “Que bosta”, escreveu o menino, filho do DJ KL Jay, dos Racionais MCs.
“Eu ficava muito irritado, falaram que não era rap, mas a nossa realidade é essa. A gente não é milionário, mas não tá passando necessidade. A gente mora em Pirituba. Eu falei com ele: ‘O que você acha uma bosta? O que não condiz com a nossa realidade, com a nossa verdade?”, lembra Adriel. O confronto acabou virando amizade. Kalfani concordou que a música tinha seu valor e se ofereceu para tocar com os meninos e a parceria dura até hoje.
Mesmo com novas apresentações marcadas e shows semanais, eles buscavam outras maneiras para atrair mais público. Luiz conta que a internet era uma ferramenta aliada: “A única forma de divulgar que a gente tinha na época era a internet. Jogamos o link de 'Trama' e o pessoal começou a baixar.”
Adriel foi além e buscou por uma produtora na internet que pudesse produzir o clipe da música. Ele vendeu o carro que ganhou de herança do pai para poder pagar os R$10 mil que o clipe custava. Dinheiro bem gasto, ele garante. A ideia deu tão certo que eles resolveram repetir o feito e fazer um vídeo para a música “Pirituba City”, que homenageia o bairro da Zona Norte de São Paulo onde cresceram.
“Não tinha carro para vender e não tinha entrado grana. Cada show que a gente fazia era 100 conto, dava R$30 para cada um e depois do show a gente passava no McDonald’s e acabou (risos). Juntamos um monte de amigos e falamos: ‘Vamos sair por Pirituba, filmar e ver no que vai dar.”, lembra Luiz.
O clipe de “Pirituba City” foi um divisor de águas na vida dos meninos. Em uma semana, o vídeo era o mais visto do YouTube e a Pollo começou a tocar em matinês de São Paulo e ser conhecida.
“Vagalumes”
A consagração veio depois que eles conheceram Ivo Mozart, músico paulista, e numa tarde despretensiosa na casa dele escreveram a música “Vagalumes” em 20 minutos. “Fizemos a música com um refrão que o Ivo já tinha, só que era de outra forma, outra pegada. Ele mostrou para gente e nós pensamos ‘Vamos fazer uma outra parada em cima disso’. Cada um escreveu a sua parte e reformulamos o refrão”, conta Adriel.
"Somos três moleques de Pirituba fazendo um som. Ninguém aqui perdeu a noção"
Adriel
Criticados no início pelo rap mais “suave”, os meninos só querem saber de curtir a boa fase. Adriel namora Gabriela Rippi, musa dos clipes e muito querida pelos fãs, que copiam seu estilo, e Luiz e Kalfani curtem o sucesso com as meninas. “O bagulho tá louco. Estou tipo Wando. No começo, jogavam sutiã (risos). Agora tô sossegado, de vez em quando é que rola. O terror é o Kalfani. Eu tô suave, quero arranjar um amor. Essa euforia de ficar pegando mina adoidado já passou”, diz Luiz. Mesmo tímido, Kalfani não nega a fama de pegador:“Eu também sou suave, quando aparece, rola, né?”
Apesar do grande sucesso, os meninos mantêm os pés no chão: “A maior loucura é que aconteceu tudo muito rápido e a gente não percebeu. A brincadeira agora tem propósito. A gente não está mais fazendo sem pensar. Já tem um porquê de estar aqui, já nos encontramos no mundo, sabemos qual é nossa missão. Somos três moleques de Pirituba fazendo um som, nada além disso. Ninguém aqui perdeu a noção”, finaliza Adriel.
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